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São João del-Rei, 06 de Setembro de 2010

Jornal das Dez já resultou até em casamento
Data: 09/01/2004
Visualizações: 248
 

Jornal das Dez já resultou até em casamento
09/01/ 2004
"Cinqüentões" que pela sua vivência têm os pés no chão, procuram companheiros no ar pela voz do radialista Geraldinho



Além dos muitos pontos de audiência alcançados todas as manhãs, o Jornal das Dez, na Rádio São João, é também um ponto de procura e encontro para viúvos ou solteiros, de ambos os sexos, com mais de cinqüenta anos. “90% das pessoas que procuram companheiros aqui querem compromisso sério, para casar. A maioria consegue”, diz Geraldo Santos, o “Geraldinho”, apresentador do Jornal das Dez há pouco mais de vinte anos, que não sabe nomes nem o “paradeiro” dos que encontraram sua alma gêmea pelo programa.

 

Umas das histórias mais engraçadas que Geraldinho recorda é a de uma senhora de “uns cinqüenta e poucos anos” que encontrou um companheiro através do Jornal das Dez e depois ligou dizendo: “Ele é excelente, não bebe e não fuma. Mas durmo com ele e não acontece nada. Vê se você consegue arrumar outro pra mim”.

 

A produção do Jornal das Dez diz ter o cuidado de não identificar as pessoas “para que não virem chacota”. Geraldinho explica que geralmente quem está à procura de companheiro vai até a rádio pedir pessoalmente. “São poucos os que solicitam esse serviço pelo telefone. Eles vêm e me pedem para colocar o anúncio, que é grátis. Depois, se der certo e estiverem gostando, ligam me agradecendo. Ganho até presentes. Quando não gostam ligam pedindo para colocar mais anúncios”.

 

Os anúncios “são mais ou menos assim”, diz Geraldinho, com a mesma voz com que anuncia as ocorrências policiais: “Viúva de 52 anos, morena, cabelos longos, aposentada e com casa própria procura companheiro para futuro casamento. Ou então: solteiro, aposentado e independente, casa própria, procura companheira. Os homens pedem para falar que estão em ótimas condições físicas”. O locutor, que irradia o Jornal das Dez desde os 14 anos, diz que recebe visitas diárias de “mais ou menos cinqüenta pessoas. Além de procurarem companheiros, procuram animais, familiares, pedem alimentos, móveis, cadeiras de roda e empregos”.

 

Via Internet

 

A possibilidade de conhecer pessoas no anonimato e ter relacionamentos sem compromisso atrai pessoas de todas a faixas etárias e níveis culturais. Internautas são-joanenses e de cidades vizinhas já travaram conhecimento com pessoas desconhecidas e até começam relacionamentos. Jaqueline, 19, moradora do Tejuco, acredita que encontrar alguém legal na Internet é como “achar agulha no palheiro”. Carlos Eduardo, 22, tem sorte nos bate-papos da grande rede. “Sou muito tímido, acho melhor conhecer as pessoas primeiro pela Internet e só depois pessoalmente. Já fiquei com muitas mulheres que conheci teclando, mas namoro sério só uma vez. Durou quase um ano”.

 

Para um “freqüentador assíduo” de bate-papos, de 45 anos, o “interessante em se relacionar com pessoas que conheço na Internet é que nos conhecemos primeiramente por dentro, a aparência física fica para depois”. Ele não esposa a idéia de que experiências de encontros marcados pela Internet são “furados. Podemos conhecer pessoas com que não nos acertamos num bar, na rua, num supermercado. Isso não é exclusivo da Internet”.

 

Uma garota de Tiradentes, de 19 anos, que pediu por telefone que sua identidade não fosse revelada, diz que está perto de conhecer seu namorado virtual: “Nos conhecemos em um chat há três meses, ele mora no nordeste de Minas, a dezessete horas daqui, e vai vir dia 24. Estou muito ansiosa para esse encontro. Acho que esse tipo de relacionamento aguça a curiosidade. Na Internet pergunto e falo sobre coisas que não teria coragem de falar pessoalmente”. Ela revelou seu nome e o da cidade de origem do namorado virtual mas, como na maioria nesses casos, pediu que fossem mantidos em sigilo.


por: Juliana Costa


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