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São João del-Rei, 06 de Setembro de 2010

Centro histórico entra ano novo com iluminação à moda antiga
Data: 07/10/2004
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Centro histórico entra ano novo com iluminação à moda antiga
07/10/ 2004
Cemig inicia obra que substituirá postes de concreto por luminárias em estilo colonial em 27 ruas e praças do núcleo original de São João



Começou dia 28 de setembro a obra de substituição dos postes de concreto de parte do centro histórico por luminárias coloniais, que tornará a iluminação harmônica com a arquitetura. A previsão inicial da Cemig era que o trabalho se iniciasse em agosto, mas o atraso foi creditado pelo gerente da agência são-joanense, Cláudio Eduardo de Souza, à indisponibilidade temporária de mão-de-obra “em razão da execução do projeto de eletrificação urbana e rural pela empresa”. Cláudio assegura que o atraso não impedirá que a obra termine até dezembro, se não a tempo para o aniversário da cidade – 8 de dezembro –, para as festas natalinas e de entrada de ano.

 

Anunciado no final de maio em São João pelo presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, a obra prevê a substituição de 144 postes de concreto e suas luminárias por 263 lampiões coloniais, instalados em 73 postes de aço e 190 suportes para lampiões, afixados nas fachadas das construções históricas. Ganharão nova iluminação decorativa os largos do Tamandaré, São Francisco, das Mercês e da Cruz e as ruas Padre José Maria Xavier (da Prata), Marechal Deodoro e Getúlio Vargas, dentre outras vias públicas do centro histórico. A obra, orçada em R$ 328 mil, é realizada pela empreiteira Construsol, de Campo Belo (MG), que venceu processo de licitação e está contratando mão-de-obra são-joanense.

 

A empreiteira iniciou na rua Santa Tereza – onde está “a casa mais antiga da cidade” – a primeira fase do projeto, com a instalação de tubos que conectarão a rede elétrica subterrânea à fachada do casario histórico e pontos que receberão luminárias e pequenos postes de aço. Seis pessoas – cinco pedreiros e um mestre de obras – trabalham inicialmente, efetivo que crescerá nos próximos dias “para atender às metas de produtividade”, diz o gerente da Cemig. O total dos trabalhadores na obra ainda não foi definido.

 

A segunda fase prevê a recuperação de fachadas e calçadas danificadas pela obra, mais a instalação dos lampiões e da fiação elétrica. A obra termina com a retirada dos 144 postes de concreto. As 27 ruas e praças com fiação subterrânea incluídos no projeto receberam em setembro a visita de técnicos da Cemig, que demarcaram quais casas e pontos de praças receberão a iluminação decorativa.

 

“O prazo ideal de realização do projeto era de quatro meses [agosto a dezembro], pois o ritmo da obra teria menos interferência de questões climáticas”, diz Cláudio, assegurando porém que as chuvas não criarão problemas ao cronograma da obra. “Temos que fechar o projeto até dezembro. E não há alternativa, porque é um investimento da Cemig para esse ano e figura no orçamento desse ano”. A demora se deu “porque as empreiteiras do setor foram quase todas deslocadas para atender ao projeto de eletrificação urbana e rural, provocando falta de mão-de-obra qualificada”, diz o gerente local, referindo-se ao  programa Luz Para Todos, com orçamento dos governos federal (Eletrobrás), estadual (Cemig) e municipal.

 

Os 263 lampiões coloniais, 73 postes de aço e 190 suportes para lampiões serão fabricados pela empresa são-joanense Silva Coelho Objetos de Arte, com sede em Matosinhos. A empresa venceu processo de licitação e, segundo o proprietário José do Carmo Silva, emprega 16 pessoas para a produção. O prazo final para entrega da encomenda à Cemig é 30 de outubro.

 

Entre 11 e 15 de outubro, em dia e hora não definidos, a Cemig apresenta aos são-joanenses o projeto da nova iluminação externa da Igreja de São Francisco de Assis, que pretende, segundo Souza, “reforçar os contornos do monumento e valorizar o conjunto arquitetônico”. O gerente não teve acesso ao projeto que, elaborado pela estatal, será tocado por empreiteira de Belo Horizonte, paralelamente à substituição de postes de concreto por luminárias coloniais no centro histórico, e também deverá ser finalizada em dezembro.

 

O atual sistema de iluminação do centro, com fiação subterrânea, começou a ser instalado em outubro de 1985, gerando reações de arquitetos e “preservacionistas” do patrimônio histórico. O então secretário da Subsecretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Sérgio Fagundes, declarou ao Jornal de São João del Rey (26/10 a 1/11) que o casario colonial existente nas praças Francisco Neves e Barão de Itambé, Largo da Cruz, beco do Cotovelo e rua Resende Costa “se harmonizaria melhor com os lampiões, em vez dos altos postes de concreto”. Quase 20 anos depois, esses pontos, hoje iluminados por grandes postes de concreto, receberão luminárias em estilo colonial.

 

por: Pedro Belchior


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