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Além dos sinos, os fogos também marcam a cidade em várias ocasiões festivas. O réveillon é apenas uma delas
A cidade que é dos sinos também é dos fogos. De acordo com o padre Sebastião Raimundo de Paiva, da paróquia Nossa Senhora do Pilar, “os sinos comunicavam acontecimentos como morte, festas, casamento. As pessoas que moravam no campo, devido ao pequeno alcance do som dos sinos, começaram a usar os foguetes como instrumento de comunicação, o que mais tarde tornou-se comum nas cidades”.
O réveillon é uma oportunidade para as pessoas usarem fogos de artifício. Em São João pipocarão em vários pontos da cidade, com destaque para o Largo São Francisco e a avenida Presidente Tancredo Neves, no córrego do Lenheiro. O proprietário da C&A Pirotécnica de São Tiago, André Luís Nésio, responsável pelo queima de fogos na margem do Lenheiro, disse "que serão catorze minutos de show pirotécnico com cerca de 350 foguetes coloridos (tubos, buquê, tremulante, giromax, flash, peixinho). O espetáculo será encerrado com um morteiro que abrirá um diâmetro de 500 metros de cores", pago pela Prefeitura. A virada de ano será comemorada no Largo São Francisco com 10 a 15 minutos de morteiros, foguetes e bombas coloridas eclodindo, diz o diretor da Associação Comercial e Industrial de São João, Jair Trindade Soares. O foguetório é patrocinado pela ACI, Sindicato do Comércio Varejista, Cemig e Companhia Industrial Fluminense.
No Santuário Senhor Bom Jesus de Matosinhos, os eventos religiosos também apresentam shows pirotécnicos. Francisco Avelino da Silva, colaborador do Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos, de 5 a 14 de setembro, diz que "na véspera das festas a Igreja faz a compra de foguetes comuns, para as novenas e alvorada, e foguetes coloridos e cascata encerrando as procissões. Os fogos são pagos por amigos da Igreja".
Outra época característica dos foguetes é durante os campeonatos de futebol. O apresentador do programa "Esporte 11", da TV Campos de Minas, Jean William Cipriani, lembra a festa que o América Recreativo e Futebol local fez no início do campeonato, "soltando inúmeros foguetes. Faz parte do torcedor comemorar suas alegrias com rojões. Os torcedores geralmente compram seus foguetes na véspera dos jogos, mas também há aqueles que estocam quando sonham com a possibilidade de seu time ser campeão".
A produção de foguetes e montagem de shows pirotécnicos envolvem medidas de segurança fiscalizadas pelo Departamento de Operações Especiais, da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos, em Belo Horizonte. Ludugério Coutinho, revendedor na cidade de foguetes das empresas São Geraldo e Artesanato de Fogos Imperial, ambas de Santo Antônio do Monte, explica que "para trabalhar nessa área é necessário uma carteira de habilitação, dada pelas firmas legalizadas aos seus revendedores que montam espetáculos pirotécnicos". André Luís lembra que "é necessário fazer um curso de um dia que envolve desde a produção dos fogos até cuidados com a segurança do público".
Pela grande tradição que São João tem no uso de foguetes, padre Paiva sugere que a cidade deveria se chamar "Foguetópolis". As vendas de Ludugério confirmam a tradição: só ele vende "de 300 a 400 foguetes comuns por mês".
Origem e fabrico dos foguetes
Foram os chineses que inventaram a pólvora e os fogos de artifício, por volta do ano 1000. Devido ao efeito visual e sonoro, os chineses começaram a usar os fogos no Ano Novo para espantar os maus espíritos. Um exemplo de mau espírito é o monstro Nian que, segundo os orientais, comia as pessoas na passagem de ano.
Em 1242, o inglês Roger Bacon criou a pólvora na Europa. A partir daí as festas européias ganharam o brilho dos fogos de artifício, que logo se espalharam pelo mundo. Em Minas Gerais os fogos de artifício chegaram no século 18, sob as formas de rojões e estrelinhas
A feitura dos primeiros fogos eram em bambus. Os chineses faziam uma mistura de pólvora, sal, cobre, cobalto e cloro, colocando fogo na ponta do bambu para causar a explosão. Hoje, com a evolução dos processos químicos, as cores são muito variadas. A branca é resultado da oxidação do magnésio ou alumínio à alta temperatura, a amarela é produzida pelos sais de sódio e a vermelha por sais de estrôncio.
por: Douglas Caputo
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