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Cidade-pólo tem mais universitários que livros vendidos 15/12/ 2003 O posto de venda no campus Santo Antônio da UFSJ, que abriga quatro cursos, vendeu menos de 20 livros em outubro e novembro.
A população são-joanense compra mensalmente cerca de 3300 livros nos seis pontos de venda da cidade, fora os adquiridos pela Internet. Já as bibliotecas Municipal e da Universidade, as duas maiores, emprestam 9600 livros por mês. O que estes números refletem, no contexto de uma cidade-pólo com 80 mil moradores, quatro mil universitários (UFSJ, Iptan e Unipac em oito cidades da microrregião), mais de mil professores do 1º ao 3º grau e cerca de 20 mil estudantes?
Para Guilherme Jorge de Rezende, pró-reitor de pesquisas da UFSJ, o número de livros vendidos em São João reflete a "tendência nacional, reproduzindo a situação social do brasileiro". A média mensal são-joanense é de um livro para cada 25 moradores.
Jacqueline Guimarães, proprietária da livraria Flamingo, instalou-se em 2000 no Largo Tamandaré. Do imóvel pequeno mudou em julho para um loja ampla na avenida Tancredo Neves, onde vende cerca de 2500 livros novos e usados por mês. Ela credita as vendas ao "bom preço. Há livros a partir de R$1,99". Débora Veloso, dona do sebo Point Literário, também atribui os 500 livros vendidos mensalmente ao "bom preço que têm os usados".
Sálvio Penna, proprietário da Livraria da Prata, aberta em julho, vende 200 volumes novos por mês. "Os preços são altíssimos, o que legitima a pirataria dos livros. As editoras produzem menores tiragens e aumentam os preços". A papelaria A Colegial vende 40 livros mensais de sua pequena estante de livros novos, e nos últimos dois meses apenas 20 no posto de venda que mantém no campus Santo Antônio. O jornal não conseguiu falar com proprietário do ponto de vendas do campus Dom Bosco da UFSJ.
Já Joana D’arc Campos, dona da Sebosa, que vende em média 100 livros por mês, debita sua pouca vendagem ao "baixo poder aquisitivo das pessoas. Antigamente as crianças tinham pelo menos R$1,00 para comprar uma revistinha. Isso me deixa desinteressada pelo sebo. Estou quase fechando-o”.
Para os donos das livrarias de São João, o que chama a atenção é o baixo número de universitários que compram livros. A maior parcela de clientes é formada por profissionais liberais e mulheres. Com o início do período de férias o consumo “chega a cair 30% em relação aos dias normais”, diz Sálvio. Já para Joana D’arc, nas férias as pessoas "lêem mais".
Entre os leitores são-joanenses, a seção mais procurada é a infanto-juvenil, com destaque para a série Harry Potter. Na Livraria da Prata, os títulos que mais saem são os de auto-ajuda: “Quem ama educa” de Içami Tiba, “A divina sabedoria dos mestres”, de Brian Weiss, e “Onze minutos”, de Paulo Coelho. Muito vendido para turistas é o livro do são-joanense Antônio Gaio Sobrinho, "Visita à colonial cidade de São João del-Rei".
No sebo Point Literário as "pessoas procuram aleatoriamente: vêm, ficam olhando e compram segundo seus interesses", diz Débora. Na Sebosa os recordistas de vendas são as novelas "Sabrina" e "Júlia". Na livraria Flamingo o livro de ponta é Harry Potter. Na biblioteca municipal os autores mais procurados são Paulo Coelho e Sidney Sheldon.
O best-seller Harry Potter desponta como livro mais vendido entre o público jovem. São João acompanha a tendência mundial e tem o pequeno aprendiz de feiticeiro como o personagem protagonista da leitura infanto-juvenil. Suely da Fonseca Quintana, Professora de Literatura da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) diz que as publicações infantis são muito vendidas “porque são muito divulgadas. E há vários produtos que são lançados junto com os livros, como filmes, jogos e camisetas, o que aproxima os leitores de seus personagens preferidos”.
Para Suely, "aproximar os jovens de livros e autores variados dará a ele a oportunidade de ler, julgar e formar seu próprio gosto e repertório de leituras". Para Joana D’arc, "as mulheres se iludem muito com os romances, por isso lêem mais “Sabrina” e “Júlia”. Dylia Lisardo Dias, professora de lingüística da UFSJ, alerta para a "importância de diversificar a leitura, não se restringindo aos cânones da literatura como único ponto de referência de leitura".
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Paula Nicolau Oliveira, 16, 2° ano do ensino médio da Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa
"Não leio muito, apesar de achar essencial a leitura para desenvolver o conhecimento. O livros cobrados pelo vestibular são chatos e antigos". |
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Bibiana Maria Lobo de França, 21, candidata ao curso de Letras da UFSJ
"Leio todos os dias, a leitura é um lazer. Gosto de literatura brasileira e norte-americana. Acho que quatro livros pedidos pelo vestibular é um exagero, com um a prova seria melhor elaborada. Meu livro de cabeceira é Sagarana, de Guimarães Rosa". |
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Rafael Camargo,50, engenheiro agrônomo.
"Leio sete dias por mês, o restante escrevo. Gosto de ler porque percebo tudo pela visão. Um livro que gosto é Fazendo Seu Certo Dar Errado, de Dawna Markova".
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Fernando Simões Coelho, 40, 2° período de Letras.
"Leio diariamente: jornais, literatura brasileira e estrangeira. A leitura é essencial e funciona como condutora de conversas. Sou viciado em leitura". |
por: Douglas Caputo
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