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São João del-Rei, 09 de Setembro de 2010

Carnaval sem desfile é como Semana Santa sem Procissão do Enterro
Data: 10/02/2005
Visualizações: 259
 

Carnaval sem desfile é como Semana Santa sem Procissão do Enterro
10/02/ 2005
Faltou clima de folia, mas blocos lotaram ruas; hotéis venderam poucos "pacotes", e Prefeitura crê ter cumprido obrigação



Carnaval sem desfile das escolas de samba é como Semana Santa sem Procissão do Enterro, sentenciam fiéis são-joanenses de Momo e do Crucificado. “Não tem graça sair e não ver o desfile”, diz Fátima Batista Lopes, com a autoridade de quem já percorreu a avenida como passista nas escolas de samba Largo da Cruz, Bate-Paus e Irmãos Metralha, e fez ouvir na Sexta-feira Santa, em três anos, os Cânticos da Verônica nos sete Passos que representam os episódios da Paixão de Cristo.

 

Hoteleiros, proprietários de restaurantes e turistas não ficam atrás. “A ocupação não passou dos 70%, baixa quanto aos anos anteriores. Os turistas ficavam apenas um ou dois dias, e saíam reclamando da falta do que ver e fazer, da ausência do clima de carnaval”, conta Ivonete, do hotel Chafariz. “Vendemos menos de 50% dos pacotes [conjunto dos dias de carnaval, com desconto]. Os demais ficavam um ou dois dias, e saíam decepcionados”, diz Lúcia, do hotel Brasil. Reginaldo, do hotel Província de Orense, repete o mesmo, acrescentando: “teve hóspedes que, mesmo tendo comprado o pacote, saíram antes”.

 

A obrigação da Prefeitura, na situação encontrada pelo novo governo – sem dinheiro e a um mês do carnaval – “foi cumprida”, considera o vereador Adenor Luiz Simões Coelho, indicado pelo prefeito Sidney Antônio de Souza para coordenar os festejos carnavalescos. “Criamos condições estruturais para os 27 blocos e bandas que fizeram nosso pré-carnaval e carnaval de rua. Contratamos banda de músicos, carro de som e sanitários públicos, providenciamos o fechamento de ruas e a Polícia Militar acompanhou os blocos. Esse planejamento e apoio apresentaram resultados: o policiamento impediu que veículos com som alto perturbassem a bateria, a banda ou o carro de som dos blocos; a Secretaria de Obras deu um jeito rápido no calçamento danificado pela forte chuva de sexta à noite, a tempo de que não prejudicasse a descida do Bloco do Copo Sujo; o Bloco da Chácara desceu a mesma rua sem nenhum carro estacionado”.

 

Adenor julga que os foliões acorreram em massa. “Os blocos Vamos a La Playa e Lesma Lerda saíram com 20 mil e 13 mil foliões, pela estimativa da PM. O Unidos da Cambalhota teve o maior movimento de seus cinco anos de existência. Todos os blocos que passaram pela avenida Tancredo Neves deixaram-na tomada, ocupada. A gente conseguiu ver as famílias são-joanenses brincando novamente na rua, como no bloco Maskaretti, que reuniu desde avós dos 80 a netos ou bisnetos de 8 anos”.

 

Olhando para 2006, Adenor volta a 2005: “Não é onde a gente queria chegar, mas foi a primeira tentativa de resgate do carnaval são-joanense, tão pouco cuidado nos últimos anos”, diz, referindo-se ao início antecipado dos preparativos – anunciado pelo prefeito para maio, com reunião entre a Prefeitura e a Associação das Escolas de Samba, Blocos e Ranchos – para o retorno do desfile oficial das escolas.

 

Madre de Deus!

 

O assessor de comunicação da 13ª Companhia, soldado Paulo Vitor, que trabalhou de sexta-feira a terça-feira de carnaval em Madre de Deus de Minas (a 50 km de São João), escreveu em seu relatório que “os 2.500 foliões não exigiram nenhuma intervenção dos cinco policiais de plantão. Não houve nenhuma ocorrência policial, registro de brigas ou de outras anormalidades. Restou observarmos a cobiça dos rapazes por uma morena de cabelos avermelhados e corpo bem torneado, que só queria requebrar e dançar, nada mais”. Madre de Deus!


por: Edson Paz


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