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De camisola e pijama para saudar o carnaval 25/01/ 2005 Bloco do Alvorada, há 31 anos abridor oficial da folia são-joanense, se vê às voltas não com rodopios de cintura, mas falta de verba para músicos e fogos
A maioria da multidão parcialmente empijamada, mas nunca de cara amarrotada, que abre oficialmente o carnaval são-joanense no fim da madrugada início da manhã de sábado, chegando a ocupar compactamente o trecho entre a Ponte da Cadeia e a Caixa Econômica Federal, “é de gente que levanta de madrugada para sair no Alvorada”. A minoria é de carnavalescos que vararam a noite em farra nas ruas”, garante Evandro Fazzion, presidente do mais “ancião” dos blocos locais, que completa 31 anos de folia “sem interrupção”. E o 32° ano?
“Às 4 horas não tem ninguém na concentração. De repente, chega gente. Nunca deixamos de sair, sempre ao som de marchas carnavalescas antigas, tocadas por músicos que ano após ano nos acompanham”, diz Fazzion. No meio da avenida Presidente Tancredo Neves, a população que não prestigiou o tradicional bloco é acordada de supetão por uma saraivada de “120” caixas de fogos, que reboam nos montes que ladeiam o vale urbano e prolongam acusticamente os estampidos. “No ano em que Tancredo Neves venceu a eleição para o governo mineiro, disparamos foguetes que desciam de pára-quedas. Pensamos em reviver, nos próximos carnavais, o carro alegórico com cama de casal, filhos e uma pia”, planeja Fazzion.
No momento ele está preocupado não com nenhuma alegoria, mas com uma questão real. “Estava viajando, e a Prefeitura reuniu os blocos e ofereceu carro de som ou banda. O Alvorada não comporta carro de som, o público não aceita. Uma vez pusemos, e quase viraram o carro em protesto. Temos músicos, pagos, que nos acompanham anualmente com um repertório de músicas antigas. Sempre valorizamos manter a tradição. Aí entram os fogos de abertura do carnaval, foguetório que é uma tradição carnavalesca e faz parte da cultura da cidade. Não dá para mudarmos as características do bloco que abre oficialmente o carnaval são-joanense. Precisamos de dinheiro”. Quanto? “R$ 1.500,00 para o total dos dez músicos, R$ 1 mil para as 120 caixas de fogos, mais R$ 400 para o fogueteiro e outros fogos que ele traz”, responde de pronto Fazzion.
Um dos sinônimos da palavra “carnaval”, segundo o Aurélio, é “trapalhada”. Poder público, iniciativa privada e quem mais de direito evitarão que tal possível trapalhada – a do carro de som fora do seu lugar – atrapalhe a alvorada oficial do carnaval são-joanense?
por: Edson Paz
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