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Receio de tsunami no córrego do Lenheiro? 25/01/ 2005 Bloco ‘Vamos a La Playa’ muda trajeto por “questões de segurança”, e ‘As Domésticas’ já teve em suas hostes o prefeito ‘Sidinho do Ferrotaco’
A principal artéria são-joanense não pulsará este ano ao atroar surdo-sonoro das baterias das escolas de samba, mas do batuque de 24 blocos e bandas. Com músicos ou sonorização bancados pela Prefeitura, treze grupos de centenas ou milhares de foliões – “da terra” e de visitantes – atravessam não o samba, mas ruas, pontes, praças e largos à luz do dia. Onze mexem ‘cadeiras’ ou simplesmente fazem ‘footing’ à luz de mercúrio de postes contemporâneos, lampiões coloniais e da lua cheia (até 1 de fevereiro), minguante (dias 2 a 7) e nova na terça-feira. A lua nova no dia 8 anuncia o carnaval 2006.
Dos blocos a caminho de “quarentões”, adolescentes e ainda nas fraldas, os que arrastam mais gente são o ‘Vamos a La Playa’, ‘Lesma Lerda’, ‘Copo Sujo’ e ‘Alvorada’. O ‘Vamos a La Playa’ congrega tal multidão que, por “questões de segurança” – receio de tsunami no sertão das Vertentes? – muda a partir deste ano de trajeto. ‘As Domésticas’, o único com concurso para eleger dentre “todas” a mais “luxuosa” e “original”, tem entre os que vestem roupa de mulher o vereador e ex-deputado Fuzatto. O mesmo bloco já teve em suas fileiras, em longínquo ano, o prefeito Sidney Antônio de Souza – ‘Sidinho do Ferrotaco’ –, informa o presidente da agremiação Roberto Vieira da Silva.
‘Mascaretti’ só recebe em seu préstito foliões mascarados, com fantasia de chitão e portando confete e serpentina, ao som de marchas carnavalescas antigas. ‘Unidos da Cambalhota’ leva às vias públicas colchão impermeável de 4 metros por 1,90 para quem, mais que pular, quer “dar a volta por cima”, como diz a velha canção do sambista boêmio Noite Ilustrada.
Depois do Centro, o bairro Bonfim e adjacências é o mais carnavalesco, com três blocos (contando com o ‘Chácara’), fora os que não constam da programação oficial. Eles descem o morro encerrando suas evoluções de bateria e rebolar de glúteos, com volúpia, defronte à solene e hierática Igreja de São Francisco de Assis. A Semana Santa não tarda. Carnavalescas são-joanenses, como as irmãs Márcia e Selma Regina, já foram e serão Verônica ali mesmo na esquina da Rua da Prata com o Largo de São Francisco, entoando em meio ao silêncio abissal o tradicional Canto da Verônica na Sexta-Feira Santa, onde neste início de fevereiro trovejam os tambores.
por: Edson Paz
Foto primeira página: Beni Jr.- http://www.saojoaodelreisite.com.br/
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