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São João del-Rei, 06 de Setembro de 2010

Historiadora desmitifica Chica da Silva
Data: 09/12/2007
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Historiadora desmitifica Chica da Silva
27/11/ 2003
Finalizando a Semana de História de Minas da UFSJ, Júnia Furtado faz palestra dia 28 sobre a ex-escrava que povoa o imaginário brasileiro



Mulher sensual e pervertida ou pessoa comum? Para Júnia Furtado, historiadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Chica da Silva (1731/35-1796) era uma figura de seu tempo, ex-escrava ávida pela inserção na seleta e arcaica sociedade do Tejuco (atual Diamantina). Sexta-feira, 28, a pesquisadora apresenta no anfiteatro do campus Dom Bosco da UFSJ, às 21h, sua obra "Chica da Silva e o contratador de diamantes: o outro lado do mito". A palestra encerra a 3ª Semana de História de Minas, promovida pela Pós-Graduação em História de Minas da universidade.

 

"Não escrevi para desmontar o mito. Apenas quis narrar sua história, porque nem o cinema nem a TV ensinam muito sobre Chica ou sobre a realidade do século 18", comentou Júnia em entrevista à imprensa no lançamento nacional do livro, em junho. Francisca da Silva de Oliveira, escrava liberta ao ser adquirida pelo contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, esteve na pele da atriz Zezé Motta em um filme da década de 70. Vinte anos mais tarde, virou tema de novela da extinta Rede Manchete.

 

A personagem tornou-se famosa por sua personalidade controvertida. Viveu 16 anos como amante do contratador, com quem teve treze filhos. A vida de luxo na qual passou a viver alcançou aspectos surrealistas, quando – reza a lenda – João Fernandes satisfez o caprichoso desejo de sua amante de fazer uma viagem marítima sem sair da região, construindo um lago artificial e uma caravela manobrada por uma tripulação de dez homens. Com fama de promíscua e capaz de cometer crueldades das mais absurdas, Chica morreu com cerca de 60 anos, sendo enterrada no cemitério da Igreja São Francisco de Assis, no arraial do Tejuco, local reservado para brancos da nobreza local.

 

Júnia Furtado sugere que essa imagem formada sobre Chica da Silva não passa de mito. "Chica freqüentava a elite branca da cidade e todas as irmandades brancas do Tejuco. Isso tudo prova que ela era uma mulher que se portava de acordo com os padrões sociais e morais da época". A ex-escrava, tida como libertária e singular, possuiu escravos e adotou um comportamento típico da elite daquele momento. Também não foi a única a entrar para a alta sociedade. Segundo Júnia, o sonho da ascensão social era comum à maior parte das negras libertas, e uma das únicas formas de serem aceitas na elite era tendo um caso com um branco da nobreza.

 

O livro será vendido durante a palestra. A 3ª Semana de História de Minas teve apresentações de monografias de ex-alunos da pós-graduação. Temas como escravidão, vida urbana, imigração e produção cultural foram abordados durante a semana, a maior parte tendo como pano de fundo a vila de São João del-Rei no século 19.

 

O livro "Chica da Silva e o contratador de diamantes: o outro lado do mito" foi editado pela Companhia das Letras e tem 464 páginas. Mais informações sobre a obra no site http://www.universiabrasil.net/materia.jsp?materia=2452

por: Pedro Belchior


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