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Ícone da geração são-joanense dos anos 60 lança segundo livro 20/11/ 2003 Lançamento reúne dia 22, no Centro Cultural da UFSJ, quem se dispõe a se interrogar sobre os problemas do homem, do Brasil e do mundo
“Dos espíritos que eu conheço, o mais inquieto é o meu mesmo”, diz o são-joanense Antônio Eduardo de Carvalho Ávila, o Toninho Ávila, 55. Presunção? “Sempre observador e questionador”, reitera apontando o maiúsculo ponto de interrogação que ostenta no peito, pendurado por uma corrente.
O segundo livro desse emblema de uma parcela da geração que vivenciou a juventude na cidade nos anos 60 e início dos 70 e tomou contato com o rock, o feminismo, os movimentos de contestação da época e a liberação dos costumes, tem um título não menos ousado: “A Revolução do Pensamento”. O lançamento, sábado, 22 de novembro, às 20h, acontece num local que, em tese, tem o papel de promover o pensamento, formar pensadores, revolucionar idéias, ser um centro de estímulo às reflexões sobre os problemas do mundo: o Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei.
Pois é disto que o livro, vendido em versão digital e impressa pela carioca Papel & Virtual Editora, trata: a atual ordem mundial, “bombardeada por Bushs e Saddans”; a situação brasileira – “somos penta, e daí? O gás está a R$ 27!”; além de ecologia, filosofia e poesia. Ávila adianta que os temas são “voltados para o existencialismo, para o ser humano”, e que busca “dialogar com os leitores sobre os conflitos atuais numa linguagem nem radical nem banalizada, mas equilibrada”.
Seu interesse pela leitura vem do berço. “Quando nasci, meu pai, que gostava muito de ler, me deu um livro do filósofo Will Durant, com uma dedicatória para mim. Foi meu primeiro presente”. Cita como autores preferidos Hermann Hesse, Fernando Pessoa, Pablo Neruda e Nietzsche. “Paulo Coelho é um bobão”.
Participante ativo dos movimentos culturais dos anos 60, diz: “sempre convivi com muitas pessoas, era uma espécie de líder natural, todos me procuravam, mas às vezes gostava de me isolar. As cabeças pensantes eram uma minoria, eu integrava um grupo limitado de pessoas que trocavam idéias”. Na ditadura militar foi detido pelo Exército devido a uma pintura que “contrariava a polícia política”. No final dos anos 70 criou o jornal mural “Escola de Loucos”, que publicava artigos de cunho filosófico, desenhos, poemas e letras de música. “Era um incentivo à criatividade das pessoas”.
Fã dos Beatles e admirador da geração Woodstock, Toninho diz que o nível musical de hoje é “muito ruim. No passado era bem melhor, por isso continuo no meu mesmo palco”.
No palco da política partidária nunca quis subir: “tenho uma postura diferente da adotada pelos políticos que lutam pelo poder, faço uma política pessoal, vinculada à arte, à ecologia e aos problemas sociais. Eu não possuo partido, o meu partido é a própria vida, é uma política pela vida.”
Além de escritor – o primeiro livro, “Lobo Bruxo”, foi lançado em 2000 em edição do autor –, Ávila é artista plástico e membro do Conselho Municipal de Conservação, Defesa e Desenvolvimento do Meio-Ambiente de São João del-Rei.
O livro “A Revolução do Pensamento” foi publicado pela editora Papel & Virtual Editora. Sua compra pode ser feita pelo site http://www.papelvirtual.com.br/, nas versões digital (R$13,42) e impressa (R$26,85).
por: Douglas Caputo |