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São João del-Rei, 06 de Setembro de 2010

Novo imortal da Academia Brasileira de Letras é das Vertentes
Data: 09/12/2007
Visualizações: 466
 

Novo imortal da Academia Brasileira de Letras é das Vertentes
23/03/ 2004
José Murilo de Carvalho, sequer lembrado pela imprensa local, nasceu em Piedade do Rio Grande e fará palestra em maio na UFSJ



A cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, antes ocupada pela escritora Rachel de Queiroz, tem novo proprietário: o historiador e professor José Murilo de Carvalho, mineiro de Piedade do Rio Grande (a 60km de São João). Apesar de ser um dos quatro representantes da microrregião dos Campos das Vertentes na ABL desde sua fundação em 1897 – ao lado do poeta tiradentino Basílio da Gama e dos são-joanenses Otto Lara Resende e Dom Lucas Moreira Neves (leia resumo no final) –, a entrada de Carvalho para a ABL no último dia 11 não foi mencionada pelos jornais de São João. O historiador ganhou a cadeira com 19 votos, o mínimo necessário para se tornar membro da Academia, contra 14 do publicitário pernambucano Mário Salles e dois do jurista cearense Paulo Bonavides.

 

José Murilo, 64, nasceu na fazenda Santa Cruz, a 10 km do centro de Piedade. Sua carreira como pesquisador é de impressionar. Formado em Sociologia e Política pela Universidade Federal de Minas Gerais, tornado mestre e doutor em ciências políticas nos EUA e pós-doutorado na Inglaterra, Carvalho é autor de dois clássicos sobre a história do Brasil imperial: "A Construção da Ordem" (1980) e "Teatro de Sombras" (1988). São pelo menos dez prêmios ao longo da carreira, dentre eles o ‘Casa de las Americas’, do governo de Cuba, que José Murilo ganhou em função do livro “Cidadania no Brasil” (2002). Também escreveu obras sobre o período republicano, como “Os bestializados”. O historiador leciona há sete anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Apesar de não graduado em História, Carvalho declarou em entrevista ao site da UFRJ (leia aqui) que começou a produzir trabalhos na área durante a graduação. Um deles trata das disputas políticas na vizinha Barbacena, onde viveu parte da sua juventude. "Meu primeiro trabalho era claramente de História, uma discussão sobre as lutas de família [entre os Andradas e os Fortes], tema familiar à historiografia brasileira", diz.

 

Para o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, José Antônio de Ávila Sacramento, a entrada na ABL é um reconhecimento da qualidade da obra de José Murilo de Carvalho. "Ele é um historiador de primeiro nível, competentíssimo, e será uma presença mineira marcante na Academia". Num de seus últimos livros publicados, "Pontos e bordados" (1998), o historiador aborda a República a partir de uma análise sobre os bordados que o marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata (1910, no Rio de Janeiro), tecia enquanto ficou na prisão, durante o conflito. O resultado dos momentos de aflição que o marinheiro passou encarcerado vieram parar em São João, expostos no Museu Tomé Portes del-Rei, no Largo São Francisco. "Os bordados foram trazidos para cá por Nequinha Guerra, que fazia parte do Club Theatral Arthur Azevedo. Estamos tentando tombar esse patrimônio, do ponto de vista estético pouco significativo, mas de um valor histórico e simbólico indiscutível", diz o presidente do IHG.

 

O presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, Ari Rodrigues, afirma ser um motivo de orgulho para as Vertentes, “berço de grandes escritores e historiadores”, a escolha de José Murilo como imortal da ABL. A reportagem não encontrou o prefeito de Piedade do Rio Grande, José Fernandes Neto, mas um de seus assessores informou que o acontecimento é motivo de “grande orgulho” para o pequeno município rural e que o prefeito está produzindo um artigo sobre o historiador, que deverá ser enviado à imprensa regional nas próximas semanas.

 

Em maio, José Murilo de Carvalho vem a São João del-Rei proferir a palestra "Nação e cidadania no Império: novos horizontes", dia 7, no anfiteatro do campus Santo Antônio. A palestra integra a programação de um encontro de historiadores do Brasil Império, organizado por professores de História da UFSJ.

 

IMORTAIS DAS VERTENTES

 

Dom Lucas Moreira Neves (1925-2002): por anos arcebispo de Salvador, o clérigo são-joanense conquistou espaço importante na cúpula do Vaticano, tendo sido cogitado, segundo religiosos, a suceder João Paulo II. Foi eleito para a ABL em 1996.


Basílio da Gama (1741-1795): poeta nascido em São José do Rio das Mortes, depois São José del-Rei e atualmente Tiradentes, Basílio é autor de “Uraguay” (1769), poema em que homenageia o governo Marquês de Pombal (1750-1777) pelo fato de ter expulsado os jesuítas do Brasil. É um dos patronos da ABL.

 

Otto Lara Resende (1922-1992): "Eu nasci no fundo da Idade Média. São João del-Rei, no 1º de maio de 1922, era uma comunidade de alta Idade Média. O peso daquele décor barroco, agravado pela massa física das igrejas que aprisionam a cidade numa proteção apavorante, imprime na alma da gente uma marca indelével”. Jornalista, importante colaborador de diários como “O Globo” e “Folha de S. Paulo”, Otto Lara foi eleito para a ABL em 1979.

 


por: Pedro Belchior


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