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Abril nunca chega 18/03/ 2004 “Será abril” – verso final de poema selecionado no 4º Concurso de Poesias da UFSJ –, além de anunciar o retorno do amado, antecipa o mês da publicação das 30 escolhidas de 24 poetas
Dos 363 poemas inscritos por 141 aventureiros – dos fazedores ingênuos de versos aos que buscam a visceralidade – 30 criações de 24 brasileiros de sete estados foram selecionados no 4º Concurso de Poesias da Universidade Federal de São João del-Rei para serem lançados em livro dia 21 de abril, no Centro Cultural da UFSJ.
Com curso superior concluído ou em andamento – entre eles quatro professores da UFRJ, UFMG e UFSJ –, apenas cinco dos 24 autores selecionados são mulheres. A estudante de Letras da UFSJ Eliza Cristina Vieira de Almeida, 21 anos, natural de São Tiago, obteve o primeiro lugar com “Musicoterapia”. Sérgio Bernardo, jornalista carioca, teve “O pão repartido” classificado em segundo, e o são-joanense graduando em Filosofia na UFSJ, Eduardo Antônio Pitt, em terceiro, com “Semelhanças”.
Eliza postou três poesias na agência dos Correios em São Tiago (a 42 km de São João) no último dia da inscrição, 1 de março. Mas o ditado “os últimos serão os primeiros” não foi o critério que levou a banca de seleção – formada por quatro professores, três de Letras da UFSJ – a indicá-las entre as nove melhores, mas “sensibilidade apurada” e “delicadeza”, entre outros.
A são-tiaguense que escreveu seus primeiros versos há doze anos, movida por tarefa escolar comemorativa do Dia dos Pais, diz que está digitando as poesias rascunhadas em diários e agendas escritas desde os 9 anos, para então selecionar e publicar, sem prazo estipulado. Com trabalhos publicados em jornais de seu município e no ‘Estado de Minas’, Eliza – que desde 2001 passa manhãs e tardes mergulhada no escritório de contabilidade da Cooperativa Agropecuária de São Tiago –, interrogada se despenderá parte dos R$ 500,00 do prêmio em livros de poesia, disse que ainda não pensou. O segundo e terceiro colocados receberão, cada, R$ 300,00 e R$ 200,00.
Abaixo, a poesia em quinto lugar da vencedora Eliza Cristina:
ATÉ A VISTA
... e quando você for embora em um mês sem sentido (talvez um novembro sem cor um fevereiro frio quiçá um setembro nu) eu vou sentir: nunca foram tão vazias as minhas mãos. ... e quando você bater a porta na saída da cidade eu vou ouvir: já desligaram os sons do nosso co/re/espirar. Mas...quando você voltar...! As torneiras do vento serão abertas as comportas de lágrimas serão abertas as persianas dos olhos serão abertas. As vontades as saudades as verdades serão abertas. Será abril.
por: Edson Paz |