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São João del-Rei, 06 de Setembro de 2010

Centro novo poderá ser novo centro histórico
Data: 07/04/2004
Visualizações: 349
 

Centro novo poderá ser novo centro histórico
07/04/ 2004
Cratera aberta por tempestade revela ponte, que pode confluir passado e presente para futuro que privilegie o pedestre



Três vias públicas no quarteirão da Santa Casa – as avenidas Andrade Reis e Nossa Senhora do Pilar e a rua Doutor Cid Rangel, antiga Comendador Bastos – poderão se tornar o centro das comemorações dos 300 anos da fundação do arraial de Nossa Senhora do Pilar (1705), que deu origem a São João del-Rei. Cratera na avenida do Pilar aberta por tempestade em fevereiro expôs o arco de uma galeria subterrânea com 15 metros de extensão, quase três metros de altura e cinco de largura. A galeria, que leva à bicentenária Ponte da Misericórdia, será transformada em local de exposições artísticas, e a ponte em marco histórico e turístico. O projeto é do vereador Adenor Simões (PSB) e das arquitetas Kívia Costa e Zuleica Lombardi, que estimam que a ponte esteja localizada onde hoje é o cruzamento da avenida Andrade Reis com Doutor Cid Rangel. A ponte foi aterrada em 1892, para facilitar o fluxo de pessoas e carroças, no mesmo ano em que foi criada a galeria, para canalizar o córrego do Segredo.

 

 “A intenção é humanizar a região da Santa Casa, que hoje prioriza os carros”, explica Kívia Costa. O projeto prevê três alterações no trânsito. A pista de descida da Andrade Reis à avenida Tiradentes será transformada em jardim, sendo fechada para carros. O mesmo vale para parte da pista da Nossa Senhora do Pilar (sentido Segredo-Centro), forçando a outra pista a funcionar como mão dupla apenas na área próxima ao jardim. Três sinais de trânsito serão instalados: na esquina da avenida do Pilar com Doutor Cid Rangel, defronte ao pré-vestibular Frei Seráfico-Pitágoras e próximo ao colégio Nossa Senhora das Dores.

 

O fechamento da descida da Andrade Reis forçará os motoristas a ter acesso à avenida Tiradentes pela rua Maria Thereza, diminuindo o fluxo de veículos próximo à Santa Casa e aumentando o trânsito em frente ao Centro de Tratamento Oncológico, localizado na Maria Thereza. Três locais serão destinados a estacionamentos, mas o projeto exclui a permanência de carros no início da avenida Nossa Senhora do Pilar.

Kívia e Zuleica ainda não planejaram como serão instalados bancos e peças de mobiliário urbano. A galeria subterrânea, sobre a qual passará o trânsito de veículos da Doutor Cid Rangel, poderá abrigar exposições de artistas locais.

 

Negociações

 

De acordo com Adenor Simões, outro objetivo do projeto é valorizar historicamente a área. “O senso comum é de que só as igrejas e casarões de arquitetura colonial possuem valor histórico. O projeto pretende dar mais vida ao outro lado do córrego do Lenheiro, onde estão exemplares dos séculos 18, 19 e início do 20, como a escola Maria Thereza (antiga Casa de Fundição), a própria Santa Casa e a capela e o colégio Nossa Senhora das Dores”, afirma.

 

O vereador reuniu-se em Belo Horizonte com representantes do Iepha (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Instituto Estrada Real (da Federação das Indústrias de Minas Gerais – Fiemg) e professores do IGC (Instituto de Geociência) da Universidade Federal de Minas Gerais. “Todos, sem exceção, demonstraram interesse em apoiar o projeto. O diretor do Iepha, Octávio Elíseo, fez questão de vir à cidade conferir o local”, diz Adenor. O próximo passo é a vinda a São João, em data não confirmada, de uma equipe do IGC, que fará um mapeamento topográfico da área.

 

Os recursos viriam, segundo Adenor, de verbas federais, municipais e iniciativa privada (doações e leis federal e estadual de incentivo à cultura). “Grandes empresas como Petrobrás, Vale do Rio Doce e Belgo Mineira, que sempre apóiam projetos culturais, não deixarão de apoiar o nosso. O incentivo dos institutos de patrimônio histórico deverá pesar na contribuição de empresas privadas”. O início das obras não necessita da autorização da Câmara, apenas de um decreto do prefeito Nivaldo Andrade, que, de acordo com Adenor em conversas com o chefe de gabinete Roque Silva, não oferecerá resistência ao projeto.


por: Pedro Belchior


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